A Verdade Nua e Crua
Muita gente já ouviu — ou até disse — a expressão: “essa é a verdade nua e crua”.
Poucos sabem, no entanto, de onde surgiu essa frase.
A origem remonta a uma antiga parábola francesa, que inspirou a pintura “A Verdade Saindo do Poço”, de Jean-Léon Gérôme.
Segundo a história, a Verdade e a Mentira caminharam juntas um dia. A Mentira, astuta, convidou a Verdade a se banhar num poço. Quando a Verdade mergulhou, a Mentira roubou suas roupas e saiu vestida com o disfarce da Verdade. Ao tentar voltar, a Verdade encontrou-se despida, rejeitada pelos homens que não suportavam vê-la assim, sem adornos. Desde então, diz-se que a Verdade sai nua do poço, enquanto a Mentira vagueia pelo mundo vestida de belas roupas.
Daí vem a expressão “verdade nua e crua”: a verdade em seu estado mais puro, sem enfeites, sem disfarces, sem concessões.
É interessante perceber como uma imagem do século XIX e uma lenda ainda mais antiga permanecem vivas em nosso vocabulário e em nossa cultura. Talvez porque, no fundo, continuemos os mesmos: fascinados pelas mentiras bem contadas, mas inquietos diante da verdade que insiste em aparecer, mesmo quando nos incomoda.

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